Segue-nos em

Reportagens

Évora/Beja. Quando o árbitro se engana no resultado, repete-se o jogo

O que acontece quando uma equipa de arbitragem erra no marcador a três minutos do fim de um jogo de acesso à final de um campeonato? O caso é simples, apesar de ter contornos insólitos. Na segunda mão do play-off do Campeonato Interdistrital de Juniores de Évora/Beja, GDC Baronia e Sociedade Torranense defrontam-se e a cerca de três minutos do fim, com o marcador a apontar um 3-4 favorável ao Torranense, o Baronia marca. Porém, o árbitro na mesa altera o placar para 3-5, aumentando a contagem dos visitantes. Perante alguma confusão face ao erro, é atribuído o golo ao Baronia, mas mantém-se o quinto golo do Torranense, ficando 4-5. No final o resultado seria 5-5, o que, tendo em conta a vitória do Torranense na primeira mão, daria a passagem à final aos homens de Álcacer do Sal.

A pergunta impõe-se: o que acontece quando uma equipa de arbitragem erra no marcador a três minutos do fim de um jogo de acesso à final de um campeonato? De acordo com o que o Futsal Global apurou esta semana, o jogo será repetido este sábado. Apesar de a AF Évora ainda não ter emitido respostas às questões endereçadas, o prazo apertado para tomar a decisão faz com que já haja uma alternativa, atingida através de mútuo acordo entre os clubes.

Mas antes da solução, o caso ocorrido no último sábado, 23 de fevereiro, tem de ser explicado. Em campo entraram as duas equipas mencionadas, defrontando-se o primeiro classificado da fase regular – Baronia – diante do quarto – Torranense. Na primeira mão, disputada em Torrão, os homens da casa venceram por 4-3, assumindo vantagem para a segunda parte da eliminatória. Importa notar que os golos marcados fora não entram nas contas, sendo apenas a diferença de golos a determinar quem passaria à final do campeonato.

Na segunda parte da eliminatória, realizada no Alvito, casa do Baronia, tudo decorreu dentro da normalidade na primeira parte. Porém, a cerca de três minutos do  final da partida, com o marcador a ditar um 3-4 favorável ao Torranense, a equipa de Alvito empata a partida, com o golo que deixaria ambos os clubes com quatro golos – e abria uma janela de esperança na remontada.

O jogo prosseguiu e na primeira paragem do jogo estala a confusão – o placar assinalava 3-5, em vez do correto 4-4. O resto da história está contada: os árbitros admitiram o erro mas mantiveram a vantagem no placar para o Torranense, terminando o jogo com o 5-5 que dá a passagem ao clube de Évora.

Como erram três árbitros em simultâneo? E a repetição é a melhor solução?

A equipa de arbitragem além dos dois árbitros de campo tinha um cronometrista na mesa. Como o técnico Luís Silva, do Torranense, confirma “o resultado estava naquela altura 4-4”. Luís Silva tentou explicar aos árbitros o erro, bem como toda a equipa do Baronia, porém sem efeito, tendo sido prontamente afastado.

O GDC Baronia optou por não comentar um processo que já está em discussão nas associações de futebol referentes.

A solução encontrada foi repetir o jogo este sábado, às 19h. A decisão foi tomada por acordo e isso tem um motivo simples: os campeonatos nacionais arrancam em duas semanas e a colocação de um processo impediria a participação do vencedor do campeonato interdistrital Évora/Beja.

No entanto, a solução encontrada não agrada a todos. “Para mim não é correto”, defende Luís Silva. O técnico do Torranense explica que a primeira parte não teve qualquer caso e que seria “mais justo” repetir apenas a segunda parte – por forma a valorizar o esforço dos seus pupilos na primeira metade.

Mas há outro assunto que coloca em causa esta premissa. De acordo com o recolhido pelo Futsal Global, o relatório de jogo carece, na segunda parte, de qualquer indicação de golos ou faltas.

“Isto não dignifica a modalidade”, acrescenta Luís Silva, que já passou por casos semelhantes, em que erros de árbitros motivaram a repetição de partes de jogos que disputou, e que acredita que esta deliberação acaba por prejudicar a sua equipa.

A decisão teve a ajuda de uma gravação completa do jogo por parte de um adepto do Baronia, que permitiu a apresentação às associações de futebol referentes de provas sobre os erros cometidos durante este jogo e que culminaram na repetição do mesmo.

Ficam por saber as consequências que este caso terá para a equipa de arbitragem em questão, bem como para uma possível reformulação da forma como a arbitragem das associações de futebol está organizada.

Para já fica a solução de recurso para definir quem disputará o título de juniores – e acesso aos nacionais – com o Borbense.

Facebook

Mais em Reportagens